sábado, 3 de dezembro de 2022

Sob o sol: resenha de lançamento do coletivo “Nacionalidade: Brasileira”

 

Texto: Jana Lauxen

Fotos: Diogo Zanatta e Bia Barzotto

 

Em uma narrativa literária ou audiovisual, as condições do tempo servem, muitas vezes, para reforçar a atmosfera pretendida pelo autor. Por exemplo, uma tempestade pode apontar para uma situação adversa vivida pelo personagem, assim como um dia de sol pode representar um estado de espírito radiante e feliz. Raios e trovões suscitam o medo necessário para uma determinada cena, enquanto a chuva pode remeter à melancolia e solidão.

Por Diogo Zanatta.

Por Diogo Zanatta. 


Assim sendo, simbólica e literariamente falando, podemos dizer com segurança que, nos últimos anos, choveu no Brasil. E não só choveu: desabou o mundo, com nuvens negras carregadas, relâmpagos, escuridão, vendaval e destruição. Uma tormenta que parecia não ter fim.

Por Diogo Zanatta. 


Mas teve. Porque sempre tem. Dom Quixote, inclusive, já deu essa letra ao Sancho, quando disse que “não é possível que o bem e o mal durem para sempre, e segue-se que, havendo o mal durado muito tempo, o bem deve estar por perto”.

O sol sempre renasce e retorna, não importa a tempestade que o antecedeu.

Por Diogo Zanatta. 


Dia 13 de novembro de 2022 também foi assim, agora falando literalmente. Estava marcado para este domingo o lançamento do coletivo literário Nacionalidade: Brasileira, trazendo contos, crônicas e poesias de 19 autores, traduzindo em palavras os seus sentimentos pelo Brasil dos últimos anos e, em especial, o de 2022.


Nesse dia, a previsão do tempo marcava 40 milímetros de chuva, o que, convenhamos, é um aguaceiro só! Dito e feito, amanheceu conforme o previsto, chuva e céu cinza, nem um pedacinho de azul.

Qual não foi nossa surpresa quando, após o meio-dia, a chuva virou chuvisco e foi parando lentamente. De repente o cinza do céu ficou branco – aquele branco cintilante que faz a gente fechar os olhos automaticamente, sabe? Em seguida um raio de sol se derramou sobre Carazinho e depois outro e outro. Eram 14h. O lançamento começava às 16h.

Por Bia Barzotto.


Não choveu mais naquele dia, nem literal nem literariamente falando. O céu abriu e o sol apareceu como um convidado especial do evento.

E olha que não faltavam convidados especiais nesse evento!

Pra começar, claro, a ilustre presença dos autores Afobório, Carlos Eduardo Goodman, Eliane Becker, Flávia Missio de Souza, Jocelene Trentini Rebeschini e Lisa Folle, além dos representantes das autoras Fernanda Algayer e Gabriela Ferri.

Por Bia Barzotto.


Os autores chegaram um pouco antes das 16h, para se organizar, se conhecer e também participar de uma live, falando um pouco sobre seu texto, suas inspirações e as expectativas para o lançamento.

Por Bia Barzotto.


O público, este convidado não só especial como fundamental, logo começou a chegar, preenchendo o espaço do El Gato Gastrobar com muitos abraços, conversas, risos e trocas.

Por Bia Barzotto.


Eram 17h30 quando outro convidado pra lá de especial tomou o palco e a atenção de todo mundo. Falo, é claro, do gigante Jamaica, artista da capoeira, educador e multitalentos, que nos brindou com mais uma de suas apresentações arrebatadoras do projeto Corda Percussiva, trazendo a musicalidade da cultura preta e envolvendo totalmente o público, fazendo dele parte do espetáculo.

Por Bia Barzotto.


Sem falar da verdadeira aula que acontece toda vez que Jamaica abre a boca, compartilhando seu conhecimento com honestidade e simplicidade. Para a surpresa de ninguém, ele foi aplaudido de pé. Veja sua apresentação completa aqui.

Por Bia Barzotto.


Quem também aceitou nosso convite e se fez presente, para nossa máxima satisfação, foi Diogo Zanatta, fotógrafo furioso de Passo Fundo, que veio acompanhar a exposição virtual de algumas de suas fotos, registradas nos últimos anos e que retratam o Brasil em suas mais variadas camadas. As imagens ficaram passando na televisão do bar enquanto tudo acontecia e, junto com as fotos do lançamento, registradas pela fotógrafa Bia Barzotto, também ilustram esta resenha.






Preciso dizer que o trabalho do Diogo não só me ajudou, como segue me ajudando a ver o mundo, o país, a cidade e os outros com olhos mais atentos e sensíveis.

Gratidão, meu amigo, pela tua existência, resistência e excelência! Sigamos atentos e fortes e juntos!

Por Bia Barzotto.


O dia 13 de novembro de 2022 foi uma tarde de celebração como há tempos não era possível celebrar. Uma celebração à literatura, que sempre salva, ainda mais quando tudo parece confuso e nublado. Mas não só. Foi também uma tarde de celebração à democracia, à cultura, à alegria, ao renascimento. Ao sol, que invariavelmente sucede à tempestade.

Por Bia Barzotto.


Afinal, estamos verdes e amarelos de saber: o autoritarismo, o obscurantismo, o negacionismo, a truculência, eles odeiam a alegria, a democracia, a cultura e os dias ensolarados. Inclusive, para que o autoritário se mantenha no comando, é fundamental um povo devastado, solitário, ressentido, frustrado, odiento. A luta se dá através da lida; resiste-se pela força e pela rebeldia, mas também pela arte, pelo afeto, pelo contato.

Por Diogo Zanatta. 


Daí a importância do coletivo e de nunca andar só!

Por Diogo Zanatta. 


Portanto, além dos nossos convidados mais do que especiais, já citados neste texto, agradecemos do fundo do coração a toda essa galera linda que apoia, incentiva, confia, prestigia, vem junto e não larga a mão da gente nunca.

São muitos e cada um sabe que é!

Por Diogo Zanatta. 


Obrigada ao Fernão Duarte, grande amigo e cúmplice leal, que nos fortalece apenas estando aqui, ao nosso lado. No lançamento do coletivo Nacionalidade: Brasileira ele foi o responsável pela venda dos exemplares, atendendo todo mundo com o maior carinho do mundo! Valeu, irmão!

Por Bia Barzotto.


Obrigada ao Jonhy Wagner, à Crica Baratto e a todos que trabalharam no El Gato Gastrobar nesse domingo querido, fazendo comidinhas, preparando drinks, servindo todo mundo com muita dedicação! Gratidão pelo espaço e pela confiança!

Por Bia Barzotto.


Obrigada à Bia Barzotto, amiga e parceira de outros carnavais, pelo registro fotográfico do nosso lançamento! Sempre atenta e sem perder um movimento sequer, com suas fotos a Bia ajuda a nossa memória a lembrar dos detalhes bonitos que não podemos esquecer jamais!

Por Bia Barzotto.


Obrigada aos autores que não puderam comparecer, mas que estavam lá com a gente, no livro, no pensamento, no coração e também nos acompanhando através das lives, que transmitimos ao vivo (e que seguem à disposição aqui, aqui e aqui)! Gratidão pela confiança e por fazerem parte desse projeto, que nunca se tornaria realidade, não fosse cada um de vocês!


Muito obrigada ao Tácito Costa, jornalista e escritor, responsável pelo texto de apresentação do coletivo e amigo amado que a internet me deu. O Tácito mora no Rio Grande também, só que o do Norte, mais precisamente em Natal, mas é como se fosse meu vizinho. Os últimos anos chuvosos foram um pouco menos nebulosos por conta de sua amizade e de jeito nenhum ele poderia estar fora desse projeto! Obrigada, meu amigo!


Aliás, por falar no texto de apresentação do Tácito, lembrei agora de um trecho da citação com a qual ele encerra sua apresentação. Tácito menciona o inesquecível Paulo Freire, no livro Pedagogia da esperança, e reproduz: “A desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo onde não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo”.

Por Diogo Zanatta. 


É por causa de todos vocês, de cada um de vocês, que a desesperança nunca nos imobilizou e nem nos fez sucumbir, nem quando o temporal parecia nos engolir.

Por Diogo Zanatta. 


Vocês também são sol e nos dão a força indispensável para seguir no embate recriador do mundo!

Por Diogo Zanatta. 


Sigamos juntos recriando o Brasil que há de ser!

Por Diogo Zanatta. 


Porque, como já disse Dom Quixote: “havendo o mal durado muito tempo, o bem deve estar por perto”.


Por Diogo Zanatta. 

Veja mais fotos do lançamento aqui.